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Biodiesel Aquícola: Transformando Poluidor em Valioso Combustível

Aquicultura é uma das atividades de maior crescimento em todo mundo.  Lembro nos anos 70´s e 80’s quando afirmava que a aquicultura seria a base da produção de pescado do planeta, muitos diziam que isto era impossível.

Bem, o setor aquícola é atualmente responsável por 50% de toda produção mundial de pescado. Os dados mostram que devido à estabilização e em muitos casos, a queda brusca da atividade extrativa  pesqueira, a aquicultura é a única opção que existe para suprir a demanda de pescado atual e futura.

No entanto o aumento da produção aquícola traz consigo o correspondente acréscimo dos resíduos ou restos industriais de cultivo e processamento de espécies cultivadas como a Tilápia e o Pangasius. No processamento de filé de Tilápia normalmente de 65% a 70% do peixe é jogado fora em forma de resíduos, vísceras, carcaças e dai por diante. 

Resíduos de Processamento de Pescado: Dor de Cabeça ou Dinheiro-Vivo?

Resíduos de Processamento de Pescado: Dor de Cabeça ou Dinheiro-Vivo?

Estes resíduos causam sérios problemas ambientais e requerem grandes investimentos para serem tratados. Na realidade eles são constantes dores de cabeças tanto para os órgãos de meio-ambiente como para os produtores e processadoras de pescado.

Contudo, desde os anos 90’s tenho desenvolvido pesquisas e aplicações práticas em biodiesel aquícolas. Sempre afirmo onde tenho promovido onde dou treinamento e consultoria que resíduos aquícolas é dinheiro – vivo e não pode ser jogado fora. Não faz nenhum sentido.

Com o uso da tecnologia apropriada, os resíduos aquícolas e de outros peixes tanto cultivados como capturados representam um potencial imenso para serem transformados em valiosos biocombustíveis produzindo receita adicional e solução sustentável.

No caso específico do Brasil, que é uma potencia mundial em álcool combustível de primeira geração, o estímulo à produção de Tilápia além dos peixes nativos pode colocar este país à frente de todos, como um líder na produção mundial de Biodiesel Aquícola. 

Pólos de Aquicultura, associações e  processadoras localizadas em lagos e reservatórios, que exploram produção em tanque-rêdes, deveriam ter unidades de Biodiesel Aquícolas como parte integrante de suas atividades.

Hoje com o advento de sistemas avançados de produção super-intensiva de peixes, como os AquaBioPonics e AquafuelPonics, podemos produzir pescados em larga escala junto a centros consumidores com o mínimo uso de água e espaço.

Por outro lado, a tecnologia de produzir Biodiesel a partir de resíduos aquícolas é estabelecida e muda muito pouco comparada com a produção feita a partir de óleos vegetais (como soja e pinhão-manso) e gorduras animais.

O que precisa é que processadoras de pescados espalhadas pela nação tenham visão, suporte e estímulo oficial para transformar o que é um poluidor do meio ambiente em algo super valioso e estratégico, não somente para as empresas, como para o país.

Como acontece em muitas outras áreas da aquicultura, é necessário que os órgãos de apoio e suporte estimulem as indústrias processadoras. Na realidade,  o governo já ajudaria demais se tão somente não atrapalhasse aqueles que querem produzir o biodiesel aquícola.

Contudo, se além do não atrapalhar, o lado oficial estimulasse a atividade energética aquícola, como faz com o programa de agricultura famíliar para biocombustíveis, o Brasil teria todas as condições de ser líder mundial não somente em Bio-Etanol, mas em Biodiesel Aquícola de alta qualidade.  Tudo está disponível, só falta alguém detonar o processo.

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