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Aquicultura Mundial em Plena Expansão

Large-Net-Pen-TilapiaComo anunciamos em posts passados, atualmente a Aquicultura já é responsável por 50% de toda produção mundial de pescado. Aquicultura tanto marítima como continental estão atingindo níveis de tecnologia, produção e produtividade cada vez mais representativos em todo mundo.

Tecnologias avançados como os sistemas Aquabioponics e Aquafuelponics (que maximizam o uso de água e espaço) permitem que megas projetos integrando piscicultura-horticultura-biocombustíveis tendo a ativa participação de pequenos, médio e grandes produtores possam ser implementados em regiões metropolitanas dos grande centros consumidores.

Por outro lado, dados mostram que a produção pesqueira marítima está estabilizada ou em declínio. Em muitas partes dos mares deste planeta estoques de espécies marinhas foram dizimadas ou estão em forte declínio. Aquicultura é a única opção viável que se tem para aumentar a oferta de pescado junto aos mercados consumidores.

Consequentemente, fomento, expansão e estímulo à atividade de cultivo de pescado fazem parte dos programas de desenvolvimento agro-agrícola de várias nações do nosso planeta.

Programas  Nacionais de Estímulos e Fomento de Aquicultura

Um dos mais notórios programas de expansão de aquicultura (produção e exportação)  é o agressivo plano de cultivo do bagre Pangasius (Pangasius hypophthalmus) que o governo Vietnamita está implementando a partir deste ano até 2020. Este plano visa exportar 600.000 toneladas ou o equivalente a $ 1.5 Bilhões de dólares em 2010. O programa estabelece também que as receitas de exportação do Pangasius sp  devem atingir  $ 2.2 Bilhões em 2015 e $ 3.0 Bilhões em 2020.

Harvesting-Tilapia2Os Estados Unidos por outro lado estão estimulando a produção interna de Tilápia e outras espécies. Os americanos estão também protegendo seus mercados de catfish contras as práticas ”dumping” dos produtores vietnamitas.  Megas projetos de    produção de Tilapia, Stripped Bass e Catfish usando circulação fechada vão surgir em pontos estratégicos dos USA.

Enquanto isto a US Farm Bill (Programa Agro-Agrícola PluriAnual) elaborado em 2008, que entrou em efeito em 1 de janeiro de 2010, além de apoiar o cultivo de pescados, vai afetar as  exportações de tra e basa bagres vietnamitas para o mercado americano.  Segundo o programa. os tra e basa vietnamitas são agora denominados catfish, enquanto que na anterior Farm Bill de 2002, os peixes eram chamados pangasius.

Isto significa que medidas sanitárias protecionistas vão estar no caminho. O Vietnam vai ter de diversificar seus mercados de exportação de Pangasius sp. O Brasil vai ser uma das opções, sem dúvida alguma. Aliás já está sendo. Pangasius já começa ser vendido em várias partes do país.

Quando o Brasil  vai Despertar e Ser uma Potencia Mundial em Aquicultura?

Enquanto o Vietnam, China, USA e muitos outros países estão estimulando e  promovendo intensamente o cultivo sustentável tanto de espécies marinhas como de água doce, o Brasil que tem todas as condições de ser uma potência mundial em aquicultura, continua cada vez mais dependente de importações vinda de outros países para atender a demanda de pescado de sua população.

aerators-tilapia-pondsComo os dados tem demonstrado, as importações de pescado brasileiras, principalmente da China tem aumentado vertiginosamente nestes últimos anos. O que nos anos 80s e 90s era impensável, hoje é realidade nacional. Pescado congelado importado da China sendo vendido em todo Brasil.

Dados mostram que as importações brasileiras de pescado bateram recorde e atingiram US$ 542,8 milhões em 2007. Com isso, o déficit da balança do segmento somou US$ 258,5 milhões, o maior desde 1999.  As importações brasileiras de pescados da China somaram US$ 7,38 milhões em 2007, 15 vezes mais que em 2006 (US$ 478,5 mil). Em somente em janeiro de 2008, as compras somaram US$ 2,04 milhões.

Enquanto isto outros dados mostram uma queda vertiginosa de 57,88% nas exportações de pescados de 2003 a 2008 e um aumento de 43,3% na importação de pescados no mesmo período (2003 a 2008). Em 2003 o País importou 152.464 toneladas. O total em 2008 chegou a 218.486 toneladas.

Entre as empresas importadoras, somente a Netuno, indústria pernambucana de pescados, importou 6 mil toneladas de peixes, o que representou um crescimento de 30% em relação ao ano anterior e cerca de 45% de tudo o que a empresa vendeu. Contudo a Netuno tem de importar porque não existe produção suficiente para abastecer de forma contínua o mercado Brasileiro.

Logo o Brasil, que todos os especialistas em produção massal de aquicultura sabem que é um dos países de maior potencial em todo mundo de produção de Tilápia, Pirarucu, Tambaquis, Pacus e outras espécies continentais e marinhas, importa e consume pescado congelado Chinês.

row-of-cages-regal-springs-tilapia-farmsO gigante da América Latina e oitava economia do mundo tem 10 milhões de hectares de lâmina d’água em reservatórios de usinas hidrelétricas e propriedades particulares no seu interior, sendo que o Brasil detém 13,7% do total da reserva de água doce disponível no mundo, além do potencial das grandes bacias hidrográficas para produção aquícola. O Brasil tem 8,5 mil km de costa marítima, com uma Zona Econômica Exclusiva de 4 milhões de quilômetros quadrados, o que significa metade do território brasileiro.

Acrescente a tudo isto, o potencial do mercado interno brasileiro de consumo de pescado. São quase 200 milhões de habitantes com um consumo per capita de tão somente de 7 kg/habitantes/ano. Isto é, abaixo do recomendado pelas entidades mundiais de saúde e alimentação de pelo menos  9 kg/habitante/ano.

O exemplo da vitalidade deste mercado interno é demonstrado no preço varejo do filé fresco de Tilapia vendido no mercado brasileiro. Atualmente, este filé é 15% a 30% mais caro do que o mesmo filé vendido no mercado americano. E isto se aplica aos vários outros pescados marinhos e continentais. Além disto, produtos aquícolas de valor agregados são um niches mercadológicos de grandes possibilidades.

Isto é, o Brasil tem tudo que precisa para ser uma potencial mundial em aquicultura. Seus recursos naturais, mercado e modelos de sucesso (como mostraremos adiante) têm o que de melhor existe para produzir e abastecer sua população e de outros países de pescado cultivado de alta qualidade.

Exemplos Vitoriosos Brasileiros de Piscicultura Associativista-Empresarial

Pe Antonio Quando da Visita do Ministro da Pesca e Aquacultura do Brasil as Associações de Piscicultores em Jatoba-PE

Pe Antonio Quando da Visita do Ministro da Pesca e Aquacultura do Brasil as Associações de Piscicultores em Jatoba-PE

Além das condições ideais para a prática de aquicultura continental  temos também exemplos vitoriosos de como fomentar e promover piscicultura empresarial com sucesso. Estes exemplos poderiam ser duplicados em várias partes da Nação Brasileira.

Temos o trabalho-modelo  das associações de piscicultores liderados pelo Padre Antonio e Ivone Lisboa em Petrolandia, Jatoba, Itaparica e itacuruba no Rio Sao Francisco Pernabucano. O trabalho do Padre e Ivone são reconhecidos internacionalmente inclusive com prêmios mundiais de reconhecimento que os projetaram para muito além da fronteiras brasileiras.

Este exemplo-modelo  faz parte do Pólo de Aquicultura de Paulo Afonso, na Bahia, Petrolandia, Jatoba, Itaparica e Itacuruba em Pernambuco, no Vale do São Francisco.  Este Pólo é hoje um modelo mundial de aquicultura associativa e empresarial vitoriosas envolvendo pequenos, médios e grandes produtores, laboratórios de produção de alevinos, fabrica de ração e processadoras.

Para se ter uma idéia, o laboratório de produção de alevinos deste Pólo localizado a jusante do reservatório de Moxoto plenejado e elaborado pelo renomado especialista Dr. Elias Alves Cordeiros foi construído para abastecer toda a região do vale do São Francisco e estados vizinhos e surprir a demanda de alevinos para uma produção de Tilápia de 60 mil toneladas/ano.

Estacão de Produção de Alevinos no Polo de Aquacultura de Paulo-Afonso - Jatobá - Itacuruba

Estacão de Produção de Alevinos no Polo de Aquacultura de Paulo-Afonso - Jatobá - Itacuruba

Era isto exatamente o que tínhamos em mente quando nossa equipe idealizou e implementou com o suporte de empresários e autoridades locais este importante pólo Brasileiro de Aquicultura.

Infelizmente, apesar de todo esforço atual dos seus incríveis e dedicados funcionários,  este laboratório está sub-utilizado com produção atual muito abaixo do que poderia atingir. O que é mais de estarrecer é que uma empresa estatal está implantando outro laboratório de produção de alevinos de Tilápia em Paulo Afonso.

Na realidade o que faz sentido é revitalizar e atualizar tecnologicamente esta  imensa e moderna instalação que é um dos maiores laboratórios privados de produção de alevinos da América Latina e do mundo.

Este laboratório precisa ser atualizado e receber tecnologias avançadas tais como: manipulação, programação e seleção de reprodutores; formação de planteis; acondicionamento-programado de femeas; sincronização de reprodutores; coleta a seco de ovas; eficientização de eclosão; maximização de sobrevivencia de larvas, e dai por diante.

Se isto fosse feito corretamente, esta unidade de produção de sementes aquícolas tinha condição sozinha de suprir a demanda de alevinos para suportar uma produção final de mais de 100 mil toneladas de pescado, ou o equivalente em volume de 40% do todo o pescado que o Brasil importa anualmente.

Até quando vamos continuar vendo países ganhando mercados e expandindo seus setores aquícolas enquanto o Brasil com todo este potencial vai  simplesmente aumentando suas importações de peixes e similares da Noruega, Chile, China, Vietnam e dai por diante?

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