Fatos Históricos de Xucuru

Colaborador: Cristiano Quitério de Araújo

Por volta de 1850, onde hoje se chama Distrito de Xucuru, existia uma aldeia de caboclos refugiados da Vila de Cimbres, Município de Pesqueira – PE. Antes da entrada dos portugueses nas terras (hoje chamadas de Xucuru), habitava uma comunidade indígena. Após a chegada dos portugueses, aquela comunidade dividiu-se, o que antes era caboclos-do-mato passou a ser chamado índio.

Entretanto, houve uma revolução aonde a maioria dos índios (que aqui habitavam) passaram a morar na Serra do Ororubá. Mais adiante as terras (atual Xucuru) deixaram de ser produtivas, e eles não conseguiam cultivar plantações que abastecessem aquela comunidade, foi então, que o restante daquela população mudou-se para o município de Pesqueira – PE, para poder viver junto com os outros.

Tempos depois chegou uma família sertaneja, o homem por nome de Caetano de Brito e sua mulher por nome de Branca, tinham vários filhos e filhas, fizeram sua morada no Sítio Pau-Furado, depois chegou outra família parente da mesma, formaram sua morada no chorão, na antiga casa que passou a ser de Juvenal.

Essas duas famílias assim viviam, tinham uma tradição, de todos os anos celebrar novenas, o nome do senhor era Cazuza Brandão, esse tinha uma grande família, nesse mesmo tempo chegou um mascate comerciante português, que casou com uma filha do mesmo Cazuza Brandão, assim formando a família Brandão. A terceira família, o senhor Manoel Pereira tinha muitos escravos trabalhando para ele, juntando-se a ele nessa época a família de Joaquim Batista Lins, vindo do Sul de Alagoas, junto com o senhor Justino do Mulungu ajudou na formação de Xucuru.

Assim Xucuru foi formado por essas três famílias.

Em seguida chegou um homem por nome de Manoel Henrique, que veio de volta do Rio, descendente da família Estevão do Sítio Quandús e Sítio Palha, o senhor Manoel Henrique fez a doação do terreno para a construção da capela, fazendo ele um pedido aquelas famílias que coloca-se o nome do Padroeiro de São Manoel em homenagem ao mesmo, o Sr. Tufia foi o escultor da imagem de São Manoel, o material para esse trabalho foi uma imburana que foi arrancada na serra do Jucá, que durante vários anos, os fiéis veneraram a imagem em uma casa de família, até que nasceu nos habitantes, o desejo de construírem uma igreja. Como aumentou o número de fiéis, foi necessário ser construída a atual igreja. Isso aconteceu no ano de 1919, tendo sido o primeiro vigário o Padre José Ananias.

Em 1907 foi à chegada do sino, as primeiras badaladas foi anúncio da morte de um da família Lins.

Na época Aldeia Velha, como era chamada pelos habitantes, pertencia a Brejo da Madre de Deus – PE, até o ano de 1922. Mesmo assim, escolhiam um lugarejo mais próximo para fazer compras. Com o passar dos tempos, resolveram instalar uma feira na aldeia facilitando o acesso para os moradores. O lugarejo em que antes faziam a feira era Jenipapo, No lugar onde atualmente localiza-se a praça, existia uma grande árvore conhecida como juazeiro, bastante sombria, que facilitava a realização da feira que atendia todos os consumidores da comunidade.

A primeira feira foi instalada em 17 de abril de 1886 ao domingo, debaixo de um pé de juá, com isso foi chegando mais famílias e a população foi aumentado, entre essas famílias destacou-se a família de Taquaritinga que ajudou a formar Aldeia Velha. A criação que abateram foi mais que suficiente, porém a carne que sobrou foi distribuída para várias pessoas. Esse acontecimento contribuiu para que a aldeia continuasse a crescer com construções de casas de tijolos, tornando-se um povoado.

Em 1912 chegou Zé Luíz que assumiu o cartório do registro civil, trabalho realizado pela família Cadete e a família Suene do Brejo da Madre de Deus, na Vila Aldeia Velha, no ano seguinte de 1913 seu Zé Luíz vendeu o cartório ao Sr. José Hinô de Oliveira Zumba, como escrivão do cartório, esse mesmo trabalhou no cartório até o ano de 1945, depois passou para seu filho Antônio Zumba, sendo desativado no ano de 1998.A primeira mercearia foi a do Sr. Belarmino José Pereira, na qual tinha uma padaria movimentada através de um cilindro de madeira. Isso aconteceu por volta de 1927.

A iluminação das ruas e das casas era produzida por lampiões movidos a gás, os quais eram colocados nas esquinas. Mas com o tempo, foi trazido um motor a óleo, que era ligado as 18:00 h e desligado às 22:00 h. O Sr. Afonso era quem ia acender e desligar as luzes da vila, onde hoje é localizado a delegacia municipal.

No ano de 1923 o povoado passou a pertencer a Belo Jardim – PE, como 3º Distrito, permanecendo até os dias atuais. O nome Xucuru foi dado em substituição a Aldeia Velha, como homenagem a tribo Xukurus, que habitou na aldeia.

Os primeiros comerciantes da época foi João Teodoro, Chico Peba e Manoel Soares, o primeiro proprietário de carro foi José Justino, no ano de 1932 foi feito a primeira estrada que liga Xucuru a Jataúba, através do prefeito Antônio Marinho. O primeiro cemitério foi construído em 1928.

No ano de 1951 veio eletrificação movida a motor a diesel.

No ano de 1955 o prefeito Dr. Arnaldo fez um novo cemitério e o açougue, que hoje é o mercado de farinha.No ano de 1938 a Aldeia Velha passou a ser chamada de Xucuru.

No mês de dezembro de 1948 o prefeito Artur e Manoel Pereira fizeram o primeiro meio fio e o aterro da rua foi feito através de carro de boi, de um fazendeiro por nome de João Moita da Passagem do Tó, nomes dos carroceiros era Inácio Grande e Chico Pedro, também foi construído o grupo escolar Luíza Leopoldina Lopes no ano de 1948.

Os professores desta época eram Zumba Inôr, Manoel Maria, Luíza Leopoldina, Zeza, João Calado, Altina Vasconselo, Maria da Paz, e Bernadete Quitéria Cordeiro.

As festas que haviam, era 07 de Setembro, Natal, que era uma tradição iluminar com candieiro de bambu. No dia 28 de Setembro de 1946 foi inaugurado o cruzeiro pelo Padre Assis Neves, que era o sucessor do Padre Severino Pires Jatobá. A primeira visita do Padre Frei Damião a Xucuru, foi no dia 07 de Outubro de 1952.

O senhor Horácio Dias foi o primeiro proprietário de rádio, isso no ano de 1949, um ano antes o senhor Neném comprou a primeira vitrola que foi cem sucesso. Apolônio foi o primeiro policial que veio a Vila no ano de 1923.

            No mês de Dezembro de 1963 o Deputado José Inácio passou Xucuru a ser Cidade, o prefeito interno era Quitério Martins de Araújo. No dia 31 de Março de 1964 veio a revolução afastando o presidente João Goulart e todos os governadores. Júlio Alves que era o prefeito que governou no ano de 1964 a 1968, ele juntamente com o seu grupo fez um projeto que tirou o título de Cidade voltando a Vila. Dezembro de 1966 José Mendonça e Paulo Guerra (governador) fizeram um projeto de liberação da energia de Paulo Afonso, sendo inaugurada no mês de fevereiro de 1967.

            O primeiro calçamento foi feito por Cintra Galvão no ano de 1970, o primeiro sinal de televisão chegou em Abril de 1977, neste mesmo ano foi feito as estradas que ligam todos os Sítios, no dia 17 de Outubro de 1980 veio o governador Marco Maciel que inaugura a encanação da água, telefone e a reforma do grupo Luíza Leopoldina Lopes.

Os índios que habitavam na aldeia, deixaram alguns desenhos e escritos numa pedra que fica situada próxima ao Sítio Zé Povo, apelidada de Pedra do Caboclo. Também no Sítio Quandús existe uma caverna, na qual os índios viveram escondidos, pois eram torturados pelos capatazes da Serra do Ororubá.

No Distrito são produzidos vários de tipos de produtos. Os artesanatos (labirinto, crochê, ponto-de-cruz, renascença, peneiras, abanos, panelas de barro, etc.); agrícolas (cenoura, alho, milho, feijão, mandioca, cebola, etc.) além da criação de caprinos, bovinos e suínos.

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